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Jornal Eco: "Novo presidente da AEMinho agarra desafio com “unhas e dentes”, mas não se quer “eternizar no cargo”

Associação Empresarial do Minho será liderada por Ricardo Costa. O gestor reivindicou a limitação de mandatos de forma "a promover a renovação de pessoas e ideias".

Depois do encerramento da Associação Industrial do Minho, em finais de 2017, a região do Minho vai ter uma nova associação direcionada ao tecido industrial. Chama-se Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e será liderada pelo empresário minhoto Ricardo Costa, CEO do Grupo Bernardo da Costa, que emprega cerca de 190 pessoas.

O presidente da AEMinho conta ao ECO que tem como missão para a associação a dinamização, defesa e promoção da iniciativa empresarial, tendo por base o desenvolvimento económico, cultural e social da região do Minho e o reforço da sua competitividade e resiliência.

Os objetivos estratégicos do presidente passam pela resiliência, a transição digital e a transição energética associada à economia circular e à sustentabilidade. “Estes pilares passam muito por conectar os empresários, quer com a associação, quer conecta-los entre eles”, explica Ricardo Costa. Acrescenta ainda quer, acima de tudo, “apostar em ferramentas tecnológicas que tornem cada vez mais eficiente, fácil e intuitiva a relação com os associados”.

Numa fase inicial, a AEMinho já tem cerca de 30 empresas agregadas que são representativas dos vários setores de atividade da Região do Minho e que são as que vão integrar os órgãos sociais e o objetivo é ter 100 empresas até ao dia 28 de maio, dia da Assembleia Geral Constituinte. “Estamos a falar das maiores empregadoras da região, nas várias áreas de negócio”, refere. Adianta que dia 28 de maio será realizada a primeira assembleia geral constituinte e a partir desse data a associação pode iniciar a sua atividade.

Em conversa com o ECO, o novo presidente da AEMinho conta que foi desafiado pelos empresários da região para abraçar este projeto de forma a criar um movimento onde fosse possível “voltar a juntar e a agregar novamente os empresários principalmente as médias e grandes empresas do setor industrial e tecnológico porque elas deixaram de sentir que estavam a ser representadas”, refere Ricardo Costa.

O novo presidente da AEMinho considera que uma das suas mais-valias é estabelecer pontes e diálogos e destaca que “juntos somos sempre mais fortes do que cada um por si”. Considera-se uma pessoa de desafios e refere que “quando entra num desafio entra com a motivação máxima”. “Se eu já estava motivado quando aceitei lançar este desafio, depois de ter visto à adesão das dezenas de empresas, instituições públicas e privadas a este projeto, ainda mais motivado fiquei. Vou agarrar este desafio com unhas e dentes”, destaca.


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Ricardo Costa tem 42 anos, nasceu em Braga, licenciou-se em Engenharia e Gestão Industrial, pela Universidade Lusíada de V. N. Famalicão e tem um MBA Internacional realizado na Católica Porto Business School, em 2011 e 2012. Está no grupo Bernardo da Costa há 19 anos, sendo atualmente o administrador de diversas empresas do Grupo Bernardo da Costa – IBD Global Portugal, IBD Global España, A-Touch Winwel, AVPro, Academia Bernardo da Costa, Global America e SGC Cameroon. Mesmo em ano de pandemia, o grupo fechou 2020 com um volume de negócios de cerca de 57 milhões de euros, o que corresponde um crescimento de 22%. A empresa foi fundada pelo seu avó em 1957 e desde a chegada de Ricardo Costa à empresa, em 2002, a mesma diversificou-se, internacionalizou-se e hoje conta com nove empresas, seis em Portugal, uma nos Camarões, uma em Espanha e outra no Brasil.

Ricardo Costa reivindicou a limitação de mandatos e destaca que foi uma das condições que colocou de forma “a promover a renovação de pessoas e ideias e que essas mesmas não se eternizem no tempo, como é normal na maioria das associações“. Destaca que serão dois mandatos de três anos cada um e que estará no máximo à frente da AEMinho durante seis anos.

Adianta ao ECO que daqui a um mês vão apresentar a lista completa dos órgãos sociais, onde também se insere o Conselho Geral. Este órgão contará com pessoas desde os presidentes, aos reitores das universidades, pessoas ligadas à ciência e personalidade que se distingam ao longo do tempo quer académica quer empresarialmente. “Este órgão vai se um órgão muito importante para a região e não vai ser um órgão de prateleira, vai ser um órgão interventivo que vai ter pareceres vinculativos no desenvolvimento da associação.

Ricardo Costa faz parte, ainda, da Rede dos Embaixadores de Braga e considera que o Minho é das regiões que mais contribuem para o emprego, riqueza e exportação. O empresário lamenta que o “Governo se esqueça desta região” e lembra que a “região do Minho recebe muito menos do que aquilo que contribui, seja no respeita à riqueza, as exportações e indiscutivelmente na criação de emprego”. Considera que não existe “equidade na distribuição de fundos” e que querem promover essa “equidade” e quer que as “empresas da região sejam inseridas nessa distribuição e fundos”.

Em relação ao Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), defende que “a maioria dos fundos deviam ser canalizados para as empresas porque são elas que geram riqueza, emprego e que contribuem para a economia do país”. No entanto, entende que face aos prejuízos que a pandemia provou o “Estado deve ter margem para os próximos anos”. No entanto, destaca que deve “existir menos estado na economia e mais empresas e iniciativa empresarial”.

Face à aceleração da digitalização, alerta que em breve as “empresas têm que estar preocupadas com vetores como a transição digital, a transição energética e a sustentabilidade e o papel da associação “vai ser dinamizar e dotar as empresas desse conhecimento“. O gestor adianta que vão fazer parcerias com todas as Instituições de Ensino Superior da região de forma “a promover esta transferência de conhecimentos entre as instituições e as empresas. É um dos nossos principais desígnios”.

Ricardo Costa considera que a região do Minho “tem um tecido industrial riquíssimo, temos das maiores empresas a nível nacional em diversos setores: metalomecânica, construção, têxtil, tecnólogas de informação, automóvel”. Considera que face ao contexto pandémico, “as empresas do Minho demonstram resiliência durante este período de pandemia e muitas delas conseguiram crescer em 2020 e as que não conseguiram crescerem adaptaram-se e preparam-se para o futuro”, refere o futuro presidente da AEMinho que foi presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Segurança (APSEI), entre 2016 e 2018, e é neste momento presidente da Assembleia Geral.

Outro dos grandes objetivos do presidente é captar, reter, atrair e requalificar o talento da região. Considera que é “uma área crítica” e tem como objetivo que “o Minho se torne num polo de atração, retenção de talentos e, juntamente com as instituições de ensino, requalificar os talentos existentes. Queremos ter um papel muito ativo nesta questão da requalificação dos talentos já existente”, conclui o presidente da AEMinho.

01/04/2021